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O FUTEBOL BRASILEIRO E SUAS HISTÓRIAS
Cortesia do Caipira Uai
FEITIÇO E O PRESIDENTE
Nos anos 30, época de início das Copas do Mundo, o futebol brasileiro já começava a revelar supercraques e a despertar paixões entres as torcidas. Os jogos entre as seleções paulista e carioca eram freqüentes e muitas vezes transformavam-se literalmente em batalhas campais.
Entre os paulistas da época, destacava-se um centroavante raçudo, excelente cabeceado, que marcaria 414 gols na carreira, tendo passado por Santos, Corinthians, Peñarol do Uruguai, Vasco da Gama, Palestra Itália e São Cristóvão, onde encerrou a carreira. Feitiço foi o único jogador antes de Pelé a ser o artilheiro do Campeonato Paulista por três vezes seguidas.
Conta-se que em um jogo disputadíssimo entre paulistas e cariocas, em 1927, no Rio de Janeiro, faltavam somente 10 minutos para o término da partida quando o árbitro inventou um pênalti contra os paulistas. Feitiço, então, orgulhosamente ordenou aos companheiros que se retirassem do campo.
Na tribuna de honra, o Presidente da República da época, Washington Luís, ordenou que a partida recomeçasse. O Presidente era uma das figuras mais impopulares do país, conhecido por dizer que o povo era uma questão de polícia e não de política. Feitiço, novamente com orgulho, encarou o Presidente e bradou: "O Presidente pode mandar aí em cima. Aqui embaixo mando eu!" E a partida não recomeçou.
Devido às permanentes desavenças como essa, dividindo jogadores e políticos paulistas e cariocas, as seleções brasileiras das primeiras Copas nunca conseguiram reunir sua força máxima, o que explica em parte o modesto desempenho do país nas primeiras competições mundiais.
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